quinta-feira, 11 de maio de 2017

Cachos

Reprodução/Google
-Tem cabelos de fogo! -  Os olhos brilhantes pareciam tentar acompanhar o sorriso que escapava dos lábios sem que o menino percebesse.

- Ela tem cabelos de fogo, mãe.

A senhora desviou a atenção da TV para tentar descobrir qual a razão daquela criança ainda estar acordada. Em plena segunda-feira, o corpo desejava apenas uma longa noite de sono e, para isso, o menino precisava dormir.
 -Mário, meu bem, o que você está dizendo?

 -Ela tem cabelos de fogo, mãe! E eles caem em cascatas encaracoladas.- O menino a encarava, como se esperasse alguma reação que não vinha. A mulher respirou fundo.

 - Mário de quem você está falando?

 -Dela mãe! - disse cruzando o braços. A mulher teve de contar até 3 para não perder a paciência.

 -Venha, meu bem, vamos dormir.

 -Mas...

 -Sim os cabelos dela, seja lá quem for, devem ser lindos. - Dito isso, a senhora o colocou na cama, deu-lhe um beijo de boa noite e saiu do quarto.

 O menino se aninhou no meio das cobertas e ficou observando as pequenas estrelas florescentes em seu teto. Iria acontecer logo.

 Em alguns poucos minutos, de dentro de uma estrelinha no teto, cachinhos vermelhos começaram a aparecer, seguidos pelo resto da menina diminuta. Ela sorriu para o garoto que a observava encantado.

"Ela tem cabelos de fogo", pensou.

E enquanto o pequeno pegava no sono, a fada batia as asinhas para chegar até a cama e dar um beijo na testa do protegido, fazendo uma prece pelos seus sonhos.

 No café da manhã a mãe se apressava em preparar o lanche do filho e um expresso rápido para si. Logo o menino entrou meio cambaleante na cozinha e sentou a mesa bocejando.

 -Bom dia, meu bem, já escovou os dentes?- Questionou enquanto colocava uma maçã na bolsa da criança. Precisava lembrar de fazer a feira mais tarde.

 -Lara.

 -O que? O que disse, Mário?- Olhou entre o pão e o suco para o menino. Do que danado ele estaria falando agora?

 - O nome da cabelos de fogo é Lara.

 A mulher apenas revirou os olhos, assentindo e entregando a bolsa ao filho.

 -Sim, sim e você está atrasado, vamos!-Em seguida estavam os dois no carro prontos para começar o dia.

 Durante todo o caminho até a escola, por mais que tentasse, Mário não conseguiu evitar sussurrar com um sorrisinho no rosto o recém descoberto segredo : "Lara". Mas a mãe nem o escutava, apenas revia mentalmente tudo o que precisaria comprar no final da tarde.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Antes do meio dia

Reprodução Google

-Alô?
-Hum, quem é?
 -Sou eu, amor
. -Ah, oi.
-O que foi? Por que tão seca? - Ele escuta um suspiro no outro lado da linha.
 -Mô, dez horas ... é melhore você ter uma boa razão para me ligar.
-Claro que tenho uma boa razão.
Ela boceja antes de falar novamente:
 -Então desembuche.
-Eu amo você.
-...
-Amor?
 - Você me ligou de madrugada para falar isso?
- Já é de manhã.
- Manhã, em um domingo, só depois do meio dia.
-Ora, que besteira. Eu só queria dizer que estou com saudades da mulher que amo!
 Outro bocejo por parte da namorada.
 -E não poderia dizer isso em horário comercial?
 -Mas estamos em horário comercial!
 -Não, amor, é domingo.
-Já entendi, você não me ama mais! - Ele dá o seu melhor suspiro exagerado. -Lembro da época em que estava sempre querendo declarações de amor. Agora, mal tem tempo de ler minhas mensagens. Ela revira os olhos, sabendo que o namorado não vai ver.
 -Que história! Olha o drama...
-É sim, você não me ama mais.
 -Amor... é domingo.
 -...
 - Drama no domingo de madrugada...
-Manhã- ele a corrige.
 -Que seja, não dá, né? Por favor me poupe, nos poupe.
-Tá, tá bom... vou desligar então.
 Mas antes de tirar o telefone do ouvido, ele escuta:
-Ei.
 -Oi?
-Eu te amo, tá? - O rapaz sorri e os dois desligam.
Dois anos depois: domingo, 11h, o casal está na cama.
-Amor, amor?
- Hum, oi?- Ele mostra a caixinha cinza que escondera no travesseiro durante a noite.
-Quer casar comigo? Ela vê o lindo anel de diamantes, sorri. Porém, em seguida olha o relógio na cabeceira da cama. Respira fundo.
-Ah, não.
-O que foi?
 -Onze horas em um domingo... você não aprende nunca?
-Mas...
- Me faça essa pergunta depois de meio dia, tá?
Vira e volta a dormir.


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Entre amigos

Do google

Campainha.
Abro a porta.
Ele entra em minha casa e, sem nenhum cumprimento, já vai abrindo a geladeira.
-Ei, não vai nem dizer "oi"?
Me olha.
-Oi.
Sorrimos.
Coloca sorvete para os dois e se joga no sofá.
- O que houve?- Pergunto.
-Só queria companhia.
Assistimos um filme, falamos besteira, rimos um da cara do outro e no final da tarde ele foi embora.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Sobre The Kiss of deception

The Kiss of Deception,  da autora Mary. E. Pearson, publicado pela editora Darksidebooks é um romance que honra o subtítulo de “crônicas de amor e ódio”. O livro começa como uma história aparentemente clichê: princesa prometida em casamento a um príncipe que não conhece para unificar reinos e ganhar a guerra. Obviamente ela não quer. Obviamente ela foge.

Até aí o leitor está agoniado querendo saber se de fato começou a ler só mais um desses livros de domingo, que vai divertir, mas sem trazer algo novo ou se alguma coisa surpreendente vai acontecer. A resposta chega à medida que os capítulos passam e o enredo apresenta-nos uma dinâmica diferente da usual. 

O príncipe se revolta e vai atrás da princesa porque quer conhecer a mulher que teve coragem de desafiar os próprios pais, coisa que ele mesmo não teve. Porém, o noivo não é o único que está em seu encalço: o povo com quem eles estão em guerra enviam um assassino para encontrar a princesa Lia e terminar com qualquer chance que ela tenha de voltar e cumprir seu compromisso.

“Sim e o que é que tem de diferente nisso tudo?”

É que, no momento em que os dois a encontram, nós os conhecemos pelo olhar de Lia que não sabe quem são, e ambos assumem identidades falsas para tentarem se aproximar da garota. Então, o leitor possui uma vantagem sobre a personagem: tem conhecimento de que um deles é um príncipe e o outro um assassino, mas, como Lia, não fazem ideia de quem é quem! Para deixar ainda mais interessante, os dois personagens se apaixonam pela princesa e ela também, por um deles.

O que nos faz ficar malucos durante a leitura é não saber por quem ela se apaixonou! A narrativa começa um jogo divertido e cativante com o leitor.

O livro tem 409 páginas, os capítulos possuem de 2 até 13 páginas e são separados por quem está narrando a história; a maioria das vezes é a própria Lia, mas vez ou outra temos os outros personagens identificados pelos seus títulos (assassino/príncipe) ou pelos nomes falsos que deram a princesa.

A partir do meio, o livro que ainda tinha certa inocência (talvez pela própria Lia ainda estar muito “verde”), começa a ficar mais pesado, de fato demonstrando o quanto a guerra é cruel. A personagem vai sofrer decepções, se apaixonar, ser iludida, se iludi, vivenciar cenas horríveis e maravilhosas e isso vai levá-la ao amadurecimento.

Contudo, quando passamos um pouco da metade do livro, a história fica mais lenta e também enfadonha. Apesar de entender a necessidade de mostrar que a jornada da personagem é demorada e cheia de sofrimento e aprendizado, a narrativa termina fazendo com que, por bem 60 páginas, à vontade predominante do leitor seja de dar um tempo na leitura. Mas, após essa fase,  o romance traz novos acontecimentos que começam a deixa-lo atraente de novo.

A narrativa é bastante descritiva, mas não ao ponto de assustar ou cansar, na verdade, é justificada pela necessidade de criar os cenários desse universo e todo o clima que acompanha a jornada de Lia. Os personagens são interessantes e cativantes: Lia é uma personagem forte, fugindo totalmente ao estereótipo de princesa que não consegue se virar sozinha.  Entre as personagens femininas rola uma cumplicidade e um cuidado, quase uma irmandade, que fazem com que a força da mulher esteja sempre em evidencia neste livro: elas não são o plano de fundo, na verdade são as verdadeiras protagonistas. Os homens são bem construídos em suas personalidades, têm pontos parecidos, mas também características totalmente pessoais e dúvidas existenciais diferentes.

As relações no livro são o que o fazem interessante. Apesar de existir o romance, não é o foco principal da história, mas sim a relação de Lia consigo mesma e dela com as pessoas a sua volta. A princesa aprende sobre o ser humano, até onde ele pode chegar por algo, a capacidade de amar e odiar a mesma pessoa. As situações que precisa vivenciar e as pessoas com quem vive constroem a jornada que a leva sempre de volta a quem ela é, e quais os limites do ser humano. Tudo isso com muita sutileza.

Os diálogos são bem escritos, envolventes e muitos trazem reflexões interessantes. O enredo também foi bem planejado: desde o jogo com o leitor até a história composta por detalhes, o que a torna rica. A guerra, as pessoas, o bem e o mal que existe em todos, tudo isso é explorado e a dicotomia entre o “amor e o ódio” é evidente, inclusive na personalidade de seus personagens.

Vale também uma nota sobre a edição do livro: está belíssima. A capa dura, as ilustrações ao longo da obra e a diagramação estão um primor. A fonte e o papel são perfeitos para a leitura em qualquer ambiente e os marcadores que acompanham, junto com o pôster, são mimos bem-vindos. A Darksidebooks está de parabéns.


Por não florear a maldade, por não florear a bondade, por não seguir padrões de “mocinhas que são indefesas” ou separar o “bom” dos “maus”, pois demonstra a relatividade dessas características, por ter um enredo envolvente e cativante, The Kiss of Deception é uma ótima pedida para viver uma aventura apaixonante.  Esperemos que a autora não se perca em sua continuação.  





quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Não querendo ser chata

Do google

Mas a vida de escritor iniciante é um tormento. Começa pelo fato de que não sabemos por onde começar. Claro que existe aquele sonho, aquelas palavras enraizadas em alguma parte do seu coração (sim, bem brega, mas é verdade), no entanto, convenhamos, trabalhar por instinto é uma droga!

Supondo que você passou da fase inicial e conseguiu escrever o seu livro: o que raios você faz agora?

O original claramente precisa de uma revisão, todos merecem segundas e terceiras olhadas. Se você for paciente vai tentando sozinho, se não, pede a ajuda de alguém. Mas quem? Em geral profissionais cobram e nem todos têm recursos. Trabalho voluntário também não ajuda: as pessoas têm seus próprios afazeres e, em algum momento, tendem a esquecer você e sua obra.

Resultado: ou se vira sozinho e tenta revisar por conta própria ( um processo complicadíssimo para alguns autores, devido a intimidade com o texto) ou engaveta tudo. Na minha opinião ninguém deveria revisar sozinho seu próprio livro. 

Ah, e é muito fácil engavetar.

 A vida exige que você se mexa, que arrume um emprego que dê dinheiro, que faça algo para conseguir se sustentar. É extremamente fácil esquecer seus sonhos em meio à correria, e não apenas os da escrita: qualquer sonho.

Depois vem o cansaço. Se você não tem condições de se dedicar somente aquilo que realmente quer, você vai sendo desgastado dia-após-dia por tudo que não quer fazer, mas que precisa, pois do contrário como poderia sobreviver? Faculdade, trabalho e projetos.

"E por que você não fez algo relacionado ao seu sonho?"

Ora, porque meu sonho não me garante dinheiro. Desde do momento em que se decide ser escritor você provavelmente vai escutar algo como: faça um curso que tenha alguma coisa de escrita, mas que lhe confira um diploma, porque, afinal, não existe garantias de que você ganhará dinheiro com livros.

E mesmo que você tenha visto um curso de graduação a respeito da escrita criativa é necessário muita coragem para seguir o que quer de verdade, afinal, você precisa comer. E ai, se faltou a coragem ou o dinheiro para ir atrás das pouquíssimas cursos universitários sobre escrita, você faz letras, jornalismo ou qualquer coisa que lhe deixe minimamente próxima do mundo que você, na verdade, gostaria de estar (isso se é que você está cursando uma universidade e não fazendo qualquer outro trabalho que também tomará seu tempo quase integralmente).

Mas, na real, você está muito longe desse mundo. 

Depois de alguns anos você começa a se dar conta de que, de fato, deixou quase tudo para trás e sua função agora é sobreviver. Você já quase não lembra do prazer de escrever o que quer de verdade. Você escreve uma vez ou outra quando o desgaste e o cansaço não enferrujam sua determinação, já tão acabada.

Às vezes, você pode escutar autores e professores dizendo que, para se escrever, é necessária dedicação, dando total preferência a esse ofício: escrever todos os dias, aprender sobre o mercado e como se inserir nele, procurar caminhos, procurar melhorar sempre...

O pior é que eles estão certos. O pior é que, para largar tudo e escrever, é preciso coragem para assumir que terá um início (se não a vida) de incertezas. Porque, queridos, publicar não é sinônimo de vender nem de permanecer no mercado. Na verdade, agora o autor não precisa apenas escrever bem: tem de ser sua própria marca. As pessoas querem gostar de você e não apenas do seu trabalho. E se você não é muito bom em tirar fotos, twittar frases engraçadas e interessantes, ou fazer textão no facebook, já sabe: boa sorte tentando fazer seu próprio marketing. Têm aqueles que conseguem, claro que tem, não é uma obrigação ser sociável é apenas uma recomendação, principalmente se seu publico é jovem.

Se, e somente se, você conseguiu quebrar metade das barreiras que apresentei, você tem uma chance de chegar ao seu objetivo. Você escreve, você luta para ter alguém que te ajude com a revisão, você pode até fazer um dos milhares de cursos de escrita criativa, oficinas, que tem por aí ( e fazer a seleção de quais são boas de verdade, e não dinheiro jogado fora, é mais uma dor de cabeça), você batalha para ser aceito em uma editora ou se auto publicar e, o segundo maior de todos os desafios (pois escrever algo bom, já é um baita desafio): vender.  Alguns conseguem, outros, como em qualquer profissão, estão perdidos no meio do caminho por diversas razões (provavelmente as que citei aqui).

Ser escritor não é um hobby, ser escritor não pode ser um ofício para depois da aula e ser escritor não precisa ser um sonho: pode ser uma meta. Desde que você tenha coragem de realmente lutar pelo que deseja e assumir que escrever é um trabalho sim e exige a mesma demanda de tempo que qualquer outro.

Mas, convenhamos, haja coragem... talvez, ser escritor, seja uma das profissões mais ousadas do mundo: você tem de vencer o mundo para ter condições de criar seus próprios universos.







terça-feira, 25 de outubro de 2016

Sobre Albertine



"Por onde seguir quando o amor e a morte cruzam o mesmo caminho?"

Sinopse do livro:

Após infortúnios marcados por tragédias e separações, um jovem casal finalmente realiza o sonho do casamento. Seu novo lar seria uma antiga e majestosa mansão escondida no meio da floresta, recebida por Jeremy como única herança vinda de seu pai. Uma construção velha, repleta de histórias e segredos. Já na nova moradia, o jovem casal, assim como Rosa, a fiel governanta, passa a descobrir que a herança de Jeremy vai muito além daquela grande casa. Há algo muito maior: algo que coloca em risco todos os novos moradores da mansão. Albertine terá, então, que descobrir como escapar deste terrível destino, enquanto luta por seu grande amor, mas também por sua própria vida.




O livro de Décio Gomes, autor pernambucano, pode ser descrito como uma obra perturbadora.

O romance é permeado de mistérios, como quase toda boa história de terror, os personagens são bem introduzidos e não demora muito para que o leitor comece a torcer pelo amor de Jeremy e Albertine, além de se apegar aos secundários, como a fiel criada Rosa. Porém, apesar dos infortúnios, quando as coisas parecem que vão melhorar para o jovem casal, novos acontecimentos de cunho sobrenatural dão uma guinada no livro e várias dúvidas surgem, segurando a atenção de quem está lendo.

 A narrativa é em terceira pessoa e o livro possui 326 páginas, com capítulos medianos, entre 6 até 13 páginas. É bem descritivo em alguns pontos, tornando fácil imaginar os locais que o autor apresenta e também visualizar seus personagens. O fator “perturbador” aparece no próprio enredo a medida que a trama é desvendada e as perguntas são respondidas. Apesar de ter pontos clichês ao gênero como uma casa antiga, um livro misterioso e um jovem casal apaixonado, “Albertine” possui uma trama envolvente e instigante, mantida pelos mistérios que envolvem a mansão e o próprio Jeremy. 

Os detalhes históricos e a clara pesquisa que o autor fez para realizar a construção do romance, deixam os pontos principais bem amarrados e, ainda que existam outros livros com a continuação, como “Minueto da Madrugada”, “Albertine” é independente, completo em si mesmo, oferecendo ao leitor a opção de escolher ou não continuar a série.

O elemento “terror” é bem distribuído no desespero e medo da personagem principal, apesar de faltar uma espécie empatia que provoca os mesmos sentimentos no leitor: sentimos o drama dos personagens, mas não fechamos o livro com medo de andar em um corredor escuro. Mesmo assim, o romance vale a pena pelo seu bom enredo.

 Os cenários montados por Décio ostentam uma aura sinistra: a casa antiga, a floresta, os segredos da família e etc.. Mescla-se a isso a tensão criada pelos momentos de transição do “paraíso” ao “ inferno” dos personagens. Mesmo sendo elementos explorados com certa frequência pelo gênero, a história contada consegue fazê-los funcionar como um todo, jogando qualquer possível enfado ou bocejo de lado.

Os personagens também são bem construídos: Albertine inicialmente é apresentada como uma mulher doce e Jeremy, em geral, como um bom garoto, apesar de frágil fisicamente. A medida que seguem e eles crescem suas personalidades também evoluem para se adequar as suas realidades e, no caso de um deles, ser o foco da trama. A mudança de cenário, da cidade para a antiga casa, também funciona como uma espécie de gatilho para que mudem sua aparência inicial, a doçura e a bondade dão lugar a maldade e a força para resistir mesmo estando bem perto da morte. Essa transição é feita lentamente, mas fica clara a medida que os capítulos vão passando.

A relação dos personagens é trabalhada com cuidado, o carinho que o casal tem um pelo outro e a forma como os laços foram gerados entre todos é bem balanceada, descritas desde a infância, tanto entre o próprio casal, quanto dos criados.  Outras amizades, como a com o padre, nascem da necessidade. Ou seja: nenhuma delas surgem do nada e tentam forçar o leitor a engoli-las, elas são construídas aos poucos, apresentando um argumento forte que as tornam convincentes.

O enredo é bem escrito, não é um livro cansativo, apesar dos detalhes serem muitas vezes expostos de forma minuciosa, e a leitura é agradável. É, em verdade, um bom livro. Não um extraordinário, "bom" é suficiente. Vale a pena ler, recomendado se você gosta de um pouco de mistério, um pouco de terror e uma pitada de sobrenatural, todos esses elementos misturados em um único exemplar.




Link para o book trailer:

https://m.youtube.com/watch?v=f9Qmk1buek8